Os laços de sangue são eternos.
Já a carreira, vem, marca e passa.
Apesar de ser uma profissional dedicada e apaixonada por seu trabalho, a mineira Patricia Naves, que conquistou o público no papel de
Silvia, mãe de Thiago Lacerda, na novela de Manoel Carlos, “Viver a Vida”, da TV Globo, acredita que antes da carreira e do sucesso está a família. Mãe de três filhos e avó de Saysa, à beira dos 50 anos, ela se mantém bela e em forma sem radicalismos. Feliz ao lado do repórter esportivo também da Globo, Mauro Naves, acredita que vencer na vida é enfrentar todos os desafios que ela traz. Com vários parentes na Granja Viana, admira bastante a região, destacando que o melhor é que ela tem tudo de bom da megalópole menos o pior: trânsito e cer cas nas casas.
Por Denise Berto
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Revista Tudo - Conte-nos um pouco de sua vida. Onde, quando nasceu, como foi sua infância? Tem irmãos? Onde estudou? Quais eram suas idéias quando adolescente? Qual sua religião? Acredita em Deus?
Patrícia Naves - Sou mineira do interior, nascí em Patrocínio e passei praticamente toda a minha infância lá. Tive uma infância muito rica de experiências com direito à férias na fazenda, beber leite ao pé da vaca, brincar de casinha nas árvores, mergulhar no rio atrás de diamantes,
matar porco, fazer polvilho, etc. Tenho dois irmãos e toda minha família ainda reside lá. Estudei em colégio de freiras e tive uma adolescência
muito tranquila, típica de uma cidade do interior. Sou católica, e acima de tudo acredito em Deus.
RT - Sabemos que começou como modelo. Conte como foi sua estréia?
PN - Quando tinha 17 anos me casei e mudei para Belo Horizonte. Fiz UF-MG e me formei em belas artes com especializacão em pintura. Tive o prazer de ser aluna de Amilcar de Castro. Sou apaixonada pelo impressionismo com uma queda por Pierre Bonard e Monet. Comecei a
modelar e a desfilar com uma idade mais avançada: 21 anos, depois que já tinha minha filha Bárbara.
RT - E a carreira como atriz? Quando e como começou?
PN - Foi quando fiz um teste para a Rede Globo, sendo aprovada. Daí fiquei indo e vindo do RJ e fiz a oficina de atores da Rede Globo. Minha estréia foi no último capítulo de “O Dono do Mundo”.
RT - Como conheceu Mauro Naves? Ele é seu segundo marido certo? Quantos filhos você tem dele e do primeiro?
PN - Conhecí o Mauro em um carnaval, mas não aconteceu nada. Só o encontrei 3 anos mais tarde quando já estava separada, em uma festa
de aniversário de uma amiga em comum. Tenho uma filha do meu primeiro casamento - Bárbara (26 anos) e com o Mauro tenho Raíssa (14) e Maurício (11).
RT - Qual foi sua primeira oportunidade na TV Globo como atriz?
PN - Fiz esta participação no “Dono do Mundo”, mas meu primeiro personagem mesmo foi a “Maryrose”, a primeira noiva estrangulada no seriado “As Noivas de Copacabana”.
RT - Quantas novelas fez? Qual a mais importante para você? Qual lhe deu maior visibilidade?
PN - Todo trabalho é muito importante e faz você crescer cada vez mais. No entanto, a que me deu maior visibilidade foi “Viver a Vida”, como
Silvia, mãe do Bruno (Thiago Lacerda), uma super companheira, mãe com uma super carga emocional, uma história de vida muito intensa, e que me realizou muito.
RT- E os filhos? Como conciliar carreira e criação dos pequenos?
PN - Amo acima de tudo a harmonia familiar, é imprescindível para mim, com ela vem todo o resto, e quando se faz o que gosta, você rebola, se vira, desgasta um pouquinho, mas fica sempre feliz. Sempre gostei de cuidar dos meus filhos, feito uma leoa, não abro mão, na medida do possível, de participar das tradicionais “reuniões de pais”. É importante se fazer presente. Sempre quem levou ao pediatra, dentista fui eu, e vejo, confiro diariamente as lições de casa, além do que gosto de fazer semanalmente o supermercado, guardar as roupas da passadeira e principalmente, fazer e desfazer a mala do Mauro quando ele viaja. Me realizo também aí, isto tudo quando não estou totalmente na ativa. Ser avó, é um estado de graça! Neto é “filho passado no mel”! Você curte de montão mas sem o compromisso, que as vezes é chato, de colocar limites. Ficava pensando como seria ser avó jovem, mas a sensação de você se sentir perpetuando é maravilhosa!
RT - É difícil envelhecer para uma mulher bonita como você? Como encara a proximidade da terceira idade?Acha que “tudo” é válido para
sentir-se jovem? Plásticas, botox, silicones, etc.?
PN - Não sinto este peso do envelhecer, mesmo porque tem uma filosofia que me governa: “só não envelhece, quem morre cedo”. Isto é fato,
não tem como fugir, mas tem como amenizar ou retardar, para isto temos muitos artifícios damedicina e ciência, só não podemos perder o senso crítico, e irmos somente até onde não possamos perder a naturalidade. Uso botox, mas, leve, pois o artista precisa muito da expressão, já fiz lipo, plástica abdominal, tratamentos estéticos, dieta, mas tudo sem neura, “don’t worry, be happy”!
RT - Você se cuida? O que faz para manter-se em forma?
PN - Confesso que sou meio preguiçosa com academia. Prefiro jogar peteca, caminhar, correr, mas a necessidade me fez descobrir
o pillates e eu estou maravilhada! Afinal, exercício na minha idade, é uma necessidade fisiológica.
Balanceio minha alimentação, mas tudo sem radicalismo, não abro mão de uma taça de vinho com o Mauro no final do dia: relaxa, cria
um clima maior de namoro.
RT - Quais seus projetos futuros? Alguma novela, peça ou filme já engatilhados?
PN - Estou ensaiando uma peca, meu maior desafio: um monólogo -”por trás”, com autoria e direção de João Tavares, e estou simplesmente
apaixonada e ansiosa para a estréia que deve acontecer no segundo semestre. O título é bem sugestivo. É a história de uma mulher de 45 a 50 anos por trás da tela do computador na internet, à procura de um grande amor, e aí, tudo acontece. Um tema atualíssimo. E vou participar
de um longa: “vazio coração”, com roteiro e direção de Alberto Araujo, meu conterrâneo. Um trabalho primoroso, onde vou ser mãe de Murilo
Rosa (na infância). Meu segundo semestre está sendo um presente de Deus para mim.
RT -Para encerrar, o que você diria a uma garota que sonha em ser atriz. Como vencer nesta carreira?
PN - Pela minha experiência, só há um caminho: se você ama a profissão, tenha consciência que não é fácil, mas não desista e nem perca a esperança, pois sua hora está determinada por Deus. Faça a sua parte, não desista com os “nãos”, não se intimide, e saiba que você vai estar sempre correndo atrás, como eu, mas vale a pena.
RT - O que você acha da Granja Viana? Conhece? Frequenta?
PN - Adoro a Granja Viana, tenho um primo e tios que moram lá e onde sempre que posso, vou visitar. Tem uma paz, uma atmosfera, uma tranquilidade que me remete muito à minha infância tão singular do interior, tendo a comodidade de tudo que tem em São Paulo, porém, com um grande trunfo: não tem trânsito nem cercas.
“SER AVÓ, É UM ESTADO DE GRAÇA! NETO É FILHO PASSADO NO MEL”
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