Entrevista Capa
Isis Valverde


Mulher Livre, bicho do mato, maravilhosa

Por Michele Marreira

Ter Isis Valverde como entrevistada de capa causou o maior reboliço na redação da REVISTA TUDO. Poxa, mas dá um desconto, né? Protagonista da novela Força do Querer, no papel da Ritinha – que ainda não sabemos se é o anjo ou o demônio da trama – Isis é a grande promessa da dramaturgia brasileira.
Com três década completadas no início de 2017, e depois de ralar muito, talvez ela tenha percebido o momento é de olhar mais para a vida pessoal.
E encarar um casório com o modelo e empresário André Resende, com quem namora há cerca de um ano, pode ser um passo a ser dado neste novo ciclo. E se vem casamento, pode vir um neném... quem sabe?
O talento de Isis se estendeu às telonas na história central em dois filmes: Amor.com e Malasartes.
Apesar de todo o jeito espevitado que mostra na novela, a atriz se considera uma “bicho do mato”. Isis gosta de sossego, de ilha deserta. Nasceu em Aiuruoca, uma cidadezinha mineira com um pouco mais de 6 mil habitantes, segundo o IBGE de 2010.
Com apenas 15 anos foi morar sozinha em Belo Horizonte para se dedicar aos estudos. Trabalhou como modelo – após ser descoberta por um olheiro em um shopping - e as campanhas publicitárias seguraram as pontas.
Três anos mais tarde, decidiu investir na carreira artística no Rio de Janeiro – onde mora até hoje.
Sinal de que deu certo.
Ôôôô se deu.
Depois de alguns testes, em 2006, estreou na TV em sua primeira novela como Ana do Véu no remake de Sinhá Moça. Em Paraíso Tropical, sua personagem Telma morria de forma trágica na trama de Silvio de Abreu. Após Rakelli de Beleza Pura e Camila de Caminho das Índias, recebeu como desafio a responsabilidade de protagonizar Tititi, em sua segunda versão na Rede Globo. À essa altura de sua trajetória, era considerada um dos promissores nomes da teledramaturgia brasileira. Alçou voos mais altos em O Canto da Sereia, Avenida Brasil, Amores Roubados e Boogie Oogie.

Revista TUDO: O que mais te desafiou na hora de construir a Ritinha de A Força do Querer?

Isis Valverde: Foram três meses de preparação. É uma personagem que exigiu muita criação, treino, empenho e coragem. Nadar com tubarão de três metros, rodeada de água-viva, com boto e piranha não é fácil não. O boto não é treinado; é selvagem e ganhei sua confiança. Depois eles começaram a me seguir pelo rio. Mergulhar sete metros de profundidade com a temperatura da água em 17 graus, ficar dois minutos sem respirar em movimento, quase morrendo, é muita coisa! Dançar carimbó é difícil, exige muito do nosso físico. Foi um personagem que chegou e me perguntou: “Isis, você quer me fazer? Eu quero que você me faça, mas vai ter de ralar.” Fora o sotaque.
Nota da revista: Quem não sorri quando escuta Ritinha dizendo: “Éééégua” ou “Lasquei-me”.

Interpretando uma mulher determinada e corajosa na ficção, de que maneira você enxerga a mulher inserida na sociedade contemporânea? Já passou por alguma situação embaraçosa por ser do sexo feminino?
Muitas vezes. Eu sempre cito o exemplo de uma mulher que mora na Bahia, uma motorista. No carro, nós começamos a conversar e ela, sem saber que eu faço parte de um grupo de feministas, começou a me contar o quão difícil era ser motorista, que sempre ouvia que deveria pilotar um fogão e que homens já se negaram a entrar em seu carro pelo fato de uma mulher estar ao volante.
A gente vive esse tipo de situação diariamente.

O que mudou em sua vida com a chegada dos 30?
Fez algum tipo de reflexão mais minuciosa?
Não é refletir e sim elaborar. Aprendi com o meu professor de Filosofia que elaborar é preciso, necessário. Comecei a exercitar isso diariamente. A vida é tão rápida, cada hora estamos em um lugar realizando trabalhos diferentes que, às vezes, não sobra tempo de amadurecer algumas ideias. O que faltava na Isis de dez anos atrás era paciência. No fim, o mundo gira e tudo se resolve.

Você está namorando o modelo André Resende. Já pensam em casamento?
Sim. Estamos vivendo e deixando o relacionamento amadurecer. Penso em construir uma família, até chegar um ponto de ter um neném. Nunca tinha pensado (no assunto) de uma forma tão madura.

Quais são seus planos na carreira?
Quero fazer mais cinema, buscar bons personagens. Procuro me aperfeiçoar cada vez mais no meu trabalho; fui para fora do país estudar, me informar, aprender outro idioma, fiz vários cursos no período sabático que tirei.

Você se arrepende de algo que tenha feito?
Não. Na verdade, derrapei uma vez. Eu alterei a nota de uma prova da aluna do meu pai; ele era meu professor e deu para que eu corrigisse. Na minha sala tinha uma menina que sempre tirava uma nota maior do que a minha. Quando eu a vi tirando 8,5 e eu 8, não me conformei. Mudei uma resposta e fiquei quieta (risos). Meu pai quando percebeu, me chamou e perguntou se eu tinha alterado a nota. Comecei a chorar porque eu não sei mentir. Pedi perdão. Aprendi com esse meu erro. Eu era uma criança, mas nunca mais cometi isso. Mexi com a confiança de quem eu amava muito: meu pai. É interessante aprender com as nossas falhas.

Sua personalidade transmite uma sensação de paz e liberdade ao mesmo tempo. Segue algum mantra?
Sigo um mantra Havaiano maravilhoso: “Te amo, me perdoa, sou grata”. Aprendi com uma maquiadora de cinema. Um dia eu cheguei irritada e achei lindo quando ela me falou isso. A minha raiva foi diluindo.

Os looks que você usa servem de inspiração para muitas mulheres. Como descreve sua relação com a moda?
A minha relação com a moda ficou mais elaborada com o tempo. Eu sou uma menina de cidade do interior. A moda é a ultima a chegar por lá. Eu sempre via muita revista, tentava ficar antenada. Comprava minhas peças. Virei atriz e comecei a me vestir bem. Eu era muito básica: camiseta, calça jeans e tênis. Quando percebi que poderia me vestir e mostrar às pessoas quem era a Isis, comecei a me interessar. Depois que fiz o filme Amor.com no qual entrei no universo das blogueiras, me apaixonei e descobri como me expressar através das roupas. Antes eu vestia uma peça porque me falavam que era a ideal, hoje tenho minha própria opinião.

Peças que não faltam em seu closet?
Peças coringas que complementam o look de alguma forma. Eu descobri que sapatos, bolsas e óculos são indispensáveis. Você pode colocar uma calça jeans retrô com uma blusa preta básica e uma bolsa transada ou um óculos irado que dá um up.
Esses acessórios transformam o visual.

Qual é o seu grau de interação nas redes sociais?
Eu tenho Instagram, uma verdadeira febre. Virou uma ferramenta de publicidade, trabalho, interação. É uma rede social rica de informações. Hoje em dia faço tudo pelo celular, sou mais ligada no telefone. É mais rápido, não preciso carregar peso.

Tradicionalmente, nesse mês, o enfoque é voltado à campanha Outubro Rosa, que combate o câncer de mama por meio da prevenção. Você já passou por alguma experiência pessoal ou na família? Qual a sua mensagem sobre o tema?
Eu já tive muitas pessoas próximas que passaram por essa situação. Eu percebi que, quando não perdemos a fé e não nos afastamos das pessoas que nos amam, é possível seguir em frente. Minha mensagem para quem está passando por uma situação assim é não seguir sozinha. Se apegue no que fará bem ao seu coração. Uma das minhas melhores amigas de infância, aos 29 anos, acabou de se curar de um câncer; foi um processo bem doloroso para todos nós. Mulheres, previnam-se.
Isis, sua linda
- Isis é fãnzaça de Johnny Depp e Gisele Bündchen;
- seria veterinária se não fosse atriz;
- vivenciar Ritinha tem sido uma realização, já que ama água. Seu sonho é comprar um barco;
- tem intolerância a glúten e alimentos que levam farinha de trigo;
-
foi ela quem pediu para interpretar Maria Lúcia, no filme Faroeste Caboclo.


 

 
Andy Serkis: mestre do corpo, gênio do cinema

Ele quer Oscar! Ele está no Brasil! Ele foi entrevistado pela equipe da TUdo!
Toda essa ansiedade é porque ficar pertinho de Andy Serkis dá aquele frio na barriga, afinal, é ele quem dá vida – emprestando a sua interpretação, seu olhar, gestos e talento - aos maiores personagens digitalizados do cinema, como o esquisitão Gollum, de Senhor dos Aneis, e o primata protagonista César, de Planeta dos Macacos – A Guerra, terceiro e último longa-metragem da trilogia.
Demos apenas dois exemplos de uma nada modesta lista de celebridades virtuais que fizeram de Andy um cara mundialmente reconhecido como pioneiro na técnica de capturar movimentos, uma verdadeira sofisticação computadorizada.
O cinquentão britânico, casado com a atriz Lorraine Ashbourne, é pai de três filhos, mora em Londres e é humilde ao dizer que teve uma formação convencional. Andy começou a lapidar a sua carreira em 1984, interpretando personagens de Willian Shakespeare e, hoje, carrega no currículo o ofício de especialista em performance de captura de movimentos.

Pensa que é fácil? Fazer o que o mestre faz depende de uma parafernália sem fim: são uniformes de malha com pontos de referência, capacetes com câmeras voltadas para o rosto e uma série de outras geringonças que ajudam a captar, inclusive, pequenos gestos como o mexer da sobrancelha.

Em São Paulo, a coletiva de imprensa com Serkis aconteceu no Shopping Eldorado e o entrevistado era só sorrisos.

Também pudera. O ator está rindo à toa com os 220 milhões de dólares atingidos nas bilheterias mundiais com seu último filme.
Planeta dos Macacos, que citamos acima, estreou dia 14 de julho e Andy veio até aqui para divulgar o longa, dar um salve aos brasileiros e, claro, bater um papo com a gente.

Confira!


Como Andy mesmo diz, “O ator realmente se transforma em outra pessoa”. Desde então, o inglês vem dando vida, as criaturas mais famosas no mundo cinematográfico. Por ele, já passou “King Kong”, “As Aventuras de Timtim”, “Star Wars – O Despertar da Força”, e atualmente as três últimas franquias de “Planeta dos Macacos”.

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REVISTA TUDO - A tecnologia na captura de movimentos mudou muito desde que você interpretou Gollum/Smeagol em “Senhor dos Anéis” (2002) no cinema. Como você analisa essa evolução tecnológica?
ANDY SERKIS – É importante entender a captura de movimento. Ela é uma ferramenta e não um gênero. O ator realmente se transforma em outra pessoa. Não se captura apenas a parte física, mas as expressões do rosto, o áudio e tudo que envolve a interpretação. Eu aprendi a manusear o meu corpo. Há alguns anos, esse processo era feito em etapas. Filmava-se os movimentos do ator com uma câmera de 35 milímetros e, em seguida, o material era levado para ser editado em um computador por animadores. Nós tínhamos que repetir os movimentos dentro e fora do set. Quando eu interpretei Gollum/Smeagol (Senhor dos Anéis, 2002) não era fácil capturar as expressões faciais. Já em King Kong (2005) consegui trabalhar com marcadores, mas só em estúdio. Quando começamos a trabalhar Tintim (As Aventuras de Tintim, 2012) também. No Planeta dos Macacos (A Guerra) conseguimos levar a câmera e a tecnologia para o ar livre, em tempo real, com outros atores em cena, interagindo. Essa inovação faz com que a interação entre os personagens seja feita como em qualquer outra filmagem. Essa tecnologia avançada possibilitou melhor qualidade, por exemplo, nos pelos dos animais, na neve que cai. Ela consegue esmiuçar a performance dos atores. Quando trabalhamos com essa tecnologia é importante pesquisar os movimentos. Quando o Steve Zahn (Macaco Mal) começou o trabalho, ele pesquisou. Aliás, esse ator é brilhante! Quando estávamos gravando, era difícil me manter sério, já que ele é do meio cômico. Na maior parte eu sofria bastante, estava sempre apanhando, sendo atacado, tinha uma intensidade muito grande, mas tudo isso ajuda com o personagem.



Esse tipo de atuação nos parece muito mais difícil e complexo do que o tradicional. Aliás, motivo pelo qual muitos acreditam que suas interpretações são dignas de Oscar.
Com certeza existe um preconceito, porque as pessoas se recusam a entender essa tecnologia. A percepção está mudando um pouco, alguns já até reconhecem. Os membros mais velhos do Golden Globe Awards e do Oscar se recusam a entender. Mas é só ver os bastidores. Não é só colocar uma roupa específica, porque a atuação precisa acontecer ali. Quando vou interpretar um personagem, procuro estudar sobre ele. Como ele age, o que ele sente. Foi assim com o César também. A única coisa diferente é a maneira como essas imagens são captadas. Mas a essência é a mesma. Quem sabe daqui uns cinco anos conseguiremos mudar isso. Nós temos muitos jovens que acompanham e gostam dessa tecnologia; muitos fãs estão sempre conectados ao que está acontecendo. Fizemos pela primeira vez, no Reino Unido, uma peça teatral (A Tempestade, de Shakespeare) onde o ator usa um traje de captura de movimento sendo projetado em tempo real, em avatares. Seus personagens surgem em cortinas de fumaça. Conseguimos transmutar o personagem. É mais uma experiência de vida, onde você está inserido e fazendo parte do que está acontecendo.

Em “Planeta dos Macacos – A Guerra”, o César volta com alguns conflitos pessoais. Como você trabalhou essas questões de personalidade?
A verdade é que esse filme trata justamente sobre empatia. Ele tem a habilidade de nos colocar no lugar do outro. Essa é a abordagem do filme, desde o início. Os macacos são uma ótima metáfora para isso, porque apesar de sermos 3% geneticamente diferentes deles, os vemos completamente diferentes. Vivemos num mundo contraditório. O mundo está sofrendo e existem problemas sobre diferenças. Todos os personagens do filme são moralmente dúbios. Não tem vilão ou mocinho. O César matou o amigo dele (Koba, Toby Kebbell) e agora é afetado por essa decisão. Ele se encheu de ódio e é onde ele perde a empatia. O César consegue olhar nos olhos do Coronel (Woody Harrelson), que ele quer matar, e finalmente reencontrar a empatia. As pessoas conversam comigo e ficam emocionadas quando veem os macacos sendo atacados, agredidos, mortos. Elas se conectam com a violência de uma forma muito real. Estamos acostumados a ver violência gratuita, então, a partir desse aspecto, acredito que é muito importante. O diretor (Matt Reeves) conseguiu fazer o César um personagem com defeitos, apesar de ser um bom líder e conseguir resolver conflitos. Mas, na verdade, o que o César não havia entendido era esse ódio que o Koba tinha dos humanos, porque ele (César) recebeu muito amor dos pais humanos. Já Koba foi torturado e traumatizado porque fizeram experimentos com ele. Por isso, quando o César entra nessa jornada do ódio, da vingança, ele passa a entender o lado do Koba. Sinto-me muito privilegiado de passar essa mensagem para milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, entretê-las e as fazer pensar, sentir e se conectar com o assunto. Desenvolvemos uma grande história e não há nada previsível. O que é bastante raro num filme blockbuster. Existe uma exaustão e, muitas vezes, os filmes não trazem nada de novo. “Planeta”, não é assim. É inovador. Essa história é construída a partir do nosso tempo atual.

Essa é a terceira vez que você interpreta o César no cinema. O que mudou desde o primeiro, que aconteceu em 2011, até os dias de hoje e quais foram os principais desafios?
O mais cansativo, preciso confessar, foi fazer o César mais novo. No segundo filme, tivemos a preocupação de tornar crível macacos que falam. É quando surge o nascimento da língua e o César se torna cada vez mais parecido com os humanos. É um personagem muito inteligente e nós desenvolvemos a questão da linguagem. Não foi um processo muito fácil. Passamos pela linguagem de sinais e, em seguida, é introduzido a fala, mas ela ainda não é bem pronunciada. Cheguei a usar um protetor bucal para dar o tom de voz para o personagem. Existe uma diferença em termos de articulações nesses dois filmes. O personagem evoluiu não só na parte física. Eu queria mudar o César como líder. Você percebe que ele anda praticamente em pé quase o filme todo. Ele está sempre ereto. Ele é muito humano. Nós buscamos a importância do que afeta a nossa memória física. Eu queria que ele tivesse essa mesma sensação. Adoro esse universo. Como eu disse antes, é a metáfora. Claro que o Matt é um dos melhores diretores com quem eu já trabalhei. E para ele, o que interessa é a performance do ator. Todo movimento é gerado a partir da perspectiva da performance. A câmera segue essa perspectiva do César. Foram cinco meses trabalhando no Canadá, dentro de uma roupa nada confortável.

Com essa tecnologia é possível viver qualquer outro personagem, até mesmo nessa trama. Você toparia, caso surgisse o convite?

Porque não?! Se surgir um personagem no qual eu me conecte, com certeza eu faria. O César é um ser humano na pele de um macaco mas, que de certa forma, é excluído. Esse filme vai tocar as pessoas e emocioná-las. Elas serão educadas a não julgarem o próximo.

Você já falou algumas vezes que enxerga o César como um líder. Para interpretá-lo você buscou inspiração em alguém?
No segundo filme, procurei me inspirar em alguns personagens emblemáticos da história real para dar o tom de liderança que o César precisava ter. Nelson Mandela foi líder de um movimento que sempre prezou pela liberdade do seu povo e de uma sociedade mais igualitária. Mergulhar nessas questões me fez pensar profundamente nisso e me colocou nessa posição de analisar. É um filme que tem filosofia e ação. Um filme de guerra entre macacos e humanos. Na minha visão, o César está levando o seu povo para a terra prometida.

Além de atuar, você também está envolvido num projeto como diretor. O que você pode falar sobre esses novos trabalhos?
Sempre tive vontade de dirigir e tive a sorte de trabalhar com essa tecnologia, porque fiquei dos dois lados. Peter Jackson (premiado roteirista) foi um grande mentor. Quando criei minha própria empresa, (The Imaginarium Studios) a ideia era essa. Se você acha que é difícil fazer o rosto de um ser humano se parecer com a um macaco, tente imaginar uma cobra, uma pantera. Nós estamos trabalhando num novo projeto (Jungle Book) e o ator Christian Bale fará uma pantera (Baguera), Benedict Cumberbatch fará o tigre (Shere Kahn) e a atriz Cate Blanchett interpretará uma cobra (Kaa). Eles estão sensacionais! Eu farei o urso Balu, um personagem bastante complexo. Estamos nos preparando também para lançar outros projetos. Um filme que se chama “Respirar”, que conta a história de Robin (Andrew Garfield) um sujeito que teve poliomielite mas acabou vencendo a doença numa época em que a cura era dificílima. Ele reafirma a vida. É extraordinário! Nós temos uma academia, onde atores podem treinar a técnica e recebemos vários estudantes de tecnologia para estágios.


Alguns trabalhos famosos da Filmografia de Andy
As Aventuras de Tintim 2 – Prisioneiros do Sol
Star Wars – O Despertar da Força
Hobbit
King Kong






 
Oscar Schmidt


Os melhores (e piores) momentos de uma vida inteira

Oscar não precisa ser ninguém além do quem realmente é.
É um cara grande, por dentro e por fora, que nunca se deslumbrou pela fama e cumpriu o seu papel de atleta na íntegra, como manda o figurino.
Seus 2,05 metros de altura e seu tênis com modestos 50 centímetros de comprimento são apenas representações do gigante que se formou ao longo dos seus 59 anos.
No entanto, outras características aparentes fazem dele muito mais do que o maior jogador de basquete do mundo. Oscar é vencedor, em todos os sentidos. A cicatriz na cabeça, de orelha a orelha, pouco aparente, é a prova da luta que travou contra o câncer, por duas vezes.
Ali, onde rolou a entrevista, na sala de troféus que mais parece o coração da casa em que mora há 20 anos em Alphaville, Oscar deixou de lado os clichês do basquete para falar de valores que não podem ser contabilizados.
Presentes, camisas, objetos pessoais, bolas (que hoje são meramente decorativas) e incontáveis prêmios se misturam à cesta de estimação, construída pelo seu pai, e ao capacete da radioterapia, que unida a sua fé inabalável, literalmente, salvou a sua vida.
Não é para menos. Até pelo Papa Francisco o cara foi abençoado durante a vinda do pontífice ao Brasil.
A carreira de palestrante, iniciada com uma reles apresentação no power point, feita por ele mesmo, quase não vai para a frente. Mas foi. E rendeu ao ex-atleta uma boa grana e alguns prêmios Top Of Mind que ficam em destaque na sala, mas que não são menos importantes do que as medalhas conquistadas na carreira de atleta. Corinthiano roxo, Oscar contabiliza seis livros escritos sobre ele, sendo que um foi uma autobiografia.
Patriarca de uma família na qual se derrete todo só de pensar, comemora 42 anos de casamento com Maria Cristina, com quem está desde molecote. Por ela, Oscar negou convites internacionais e, anos depois, encheu o nosso coração de orgulho com tantas conquistas pela Seleção Brasileira.
Aliás, vale contar aqui que ele contabilizou 49.737 pontos oficiais em quadra. E pode somar mais quatro aí, quando, recentemente, jogou 11 minutos no Jogo das Celebridades da NBA, em fevereiro deste ano.
A conversa rendeu. Até mesmo porque muita água rolou debaixo dessa ponte.
Do início da carreira ao ingresso no Hall da fama, da família perfeita ao sonho de ser presidente da república, o que o fez tentar o ingresso na carreira política. “A política é podre. Ainda bem que eu perdi a eleição”, revela.
Muito mais do que fazer uma entrevista, saímos de lá com uma gana enorme de encarar de frente as dificuldades da vida.
Mão Santa, Oscar Schmidt!
Valeu, cara. Em meio as centenas de medalhas, Oscar mostra orgulhoso os prêmios recebidos como palestrante. Foi indicado cinco vezes ao prêmio Top Of Mind.

Como foi este processo? Você acordou e resolver ser palestrante? 

Não foi assim como você está pensando (risos). Acabou o basquete para mim a carreira e eu não tinha preparado nada para isso. No fim da minha carreira algumas empresas já me convidavam para conversar com os funcionários. Resolvi arriscar. Entrei no power point e montei um esboço de palestra com uns 24 slides. Eu não sabia usar nada disso. No início foi um desastre e quase abandonei o barco porque eu morria de vergonha de falar em público. Mas optei por ir melhorando a cada dia. Teve um dia que acabei a palestra e fui ao banheiro; e ouço ouvi pessoas comentando que a minha história era muito interessante, mas não tinha conteúdo. Eu entendi aquela mensagem. O conteúdo é a forma de fazer as pessoas se identificarem com aquela história. Contratei um gênio deste maiomeio, o João Cordeiro, e montamos três palestras diferentes com a mesma história. Eu só tenho uma história. Não posso inventar. O meu mundo decolou e vivo disso hoje. Se eu soubesse eu não tinha jogado basquete (risos).

Você só atende empresa fera, certo? Google, Coca Cola. Você que vai até estas empresas ou elas que te procuram?
Não. Atendo qualquer uma empresa que pague o meu preço. As empresas que me procuram. Já fiz palestra com oito mil pessoas, que foi a minha primeira palestra. Foi na Amway, que era patrocinadora do time que eu jogava, o Corinthians. Falei durante uns 15 minutos e quando eu percebi eestava o lugar inteiro gritando: “Vamos ser campeão”.

Você sempre teve este tino para a comunicação?
Fazer palestra é muito diferente de tudo. Você precisa ter algo organizado que atenda as pessoas que estão ali te assistindo. Não é simples fazer. Imagine subir num palco com mais de mil pessoas olhando para você. O conteúdo é sempre a minha carreira, mas contada de formas bastante agradáveis.



Como está o seu ritmo de vida profissional
Intenso. Hoje eu tenho mais compromissos do que quando eu jogava. Viajo muito.

Você já foi candidato a senador.
Hoje deve dar Graças a Deus de não ter entrado para a vida política.
Eu queria ser presidente da república. Fiquei 13 anos na Itália pensando em como ser presidente do Brasil. Mas a política é podre. Ainda bem que eu perdi a eleição. Joguei cinco anos de basquete ainda depois desta eleição. O único cara que me deu chance, na época, foi o (mer...) do Maluf. Fui candidato numa coligação com seis partidos e tive mais votos que o próprio Maluf. Tive a quinta votação da história; quase seis milhões de votos. E pensar que todo este povo saiu de casa para votar em mim. Me arrependo de ter sido candidato, mas tenho um orgulho danado de ter tido todos esses votos. Vocês não sabem a quantidade de propostas que recusei na eleição sucessiva. Muito dinheiro. Este jogo eu não quis jogar.

Você sempre teve este tino para a comunicação?
Fazer palestra é muito diferente de tudo. Você precisa ter algo organizado que atenda as pessoas que estão ali te assistindo. Não é simples fazer. Imagine subir num palco com mais de mil pessoas olhando para você. O conteúdo é sempre a minha carreira, mas contada de formas bastante agradáveis.

Você contabilizou 49.737 pontos no basquete, certo? Foram 32 anos do esporte. Uma vida, né?! Como começou esta paixão?
Opa! Coloque na conta Mmais quatro pontos oficiais que fiz recentemente. Bom, primeiro que eu não gostava de basquete. Na minha família todo mundo jogou vôlei e eu gostava de futebol, como todo bom brasileiro; aí, em Brasília, o meu professor de educação física falou para mim que era técnico de basquete da vizinhança falou para mim. “Você podia ir lá”;, ele , que não era bobo nem nada. , disse. Eu era alto pra caramba e tinha 13 anos. Bom, eu fui! Ele dava uns exercícios estranhos e, na época, difíceis para mim. “Comece certo que um dia você vai fazer muitas cestas”, falou Laurindo Miura, meu treinador na época. Eu me apaixonei pelo basquete, e veio o sonho de jogar na seleção brasileira e isso aconteceu rápido. Com 15 anos eu estava jogando na seleção juvenil e com 16 anos joguei duas partidas na seleção adulta.

Nossa, mas foi muito rápido. Em apenas dois anos você estava na seleção.
Sim! Vocês estão falando com um cara que treinou muito. E que teve incentivo dos pais. Aí eu vim jogar no Palmeiras e foi um sacrifício fazer a minha mãe deixar eu vir sozinho, aos 16 anos, morar numa república.

Fale um pouco dos seus pais em meio a este processo.
Meu pai era militar, filho de alemão. A educação, em casa, foi “braba”. Imagine só se o meu pai soubesse que eu não estava recebendo dinheiro? Fiquei seis meses sem receber e se eu falasse contasse isso a ele a, minha carreira iria acabar. Ele viria me buscar. Apesar de ganhar pouco um meu pai sempre me colocou em boas escolas particulares. Ele fFez muito sacrifício pela gente.

Nessa época não te despertou o desejo de jogar fora do Brasil, o que é muito comum com jovens atletas nesta idade.
Despertou, lógico. O Michigan State, equipe do Magic Johnson, veio jogar no Brasil. O cara ficou doido comigo e me ofereceu dinheiro. Eu não quis sabe por que? Porque eu já tinha o amor da minha vida, que era a minha namorada. Ou eu iria com ela ou eu não iria. Estamos há 42 anos juntos. Somos uma dupla infernal. Maria Cristina merece o dobro do sucesso que a vida me proporcionou, pois fez muitos sacrifícios por mim. Quando eu fui para a Itália, era final de setembro. Ela estava no quinto ano de psicologia. Eu pedi para que ficasse ficar e terminasse a faculdade. Ela não se formou e foi comigo. Não era só uma ajuda moral. Era efetiva. Ela passava bola para mim nos treinos. Participou de tudo.

As suas camisas serem número 14 tem a ver com a Maria Cristina?
Sim. Começamos a namorar no dia 14 de janeiro.

Você também recusou a NBA, certo?
Sim. Porque era proibido jogar na NBA e na Seleção Brasileira, nas Olimpíadas. Me drafitaram em 1984, ou seja, eles me queriam muito. Fui lá, treinei uma semana, fiz cinco jogos com o New Jersey Nets e os caras ficaram loucos ao me verem em quadra. Não aceitei porque a minha prioridade era a Seleção Brasileira. Três anos depois nós mudamos as regras do basquete; ganhamos o Panamericano nos Estados Unidos.

E o basquete de hoje? O que você acha dele?
Hoje, graças a minha geração, todos os países têm jogadores na NBA. No Brasil, como jogador, destaco o Anderson Varejão. Acho que muitos atletas não sabem ganhar. Tem coisas que o técnico não precisa dizer para você. É sua obrigação saber. Já o torcedor de hoje está mal-acostumado. Todas as informações chegam até ele. Quando eu jogava na Itália, ninguém sabia que eu estava lá. Aliás, muita gente não sabe até hoje. Foram meus melhores anos na Europa. Fique 13 anos jogando lá.

Já que estamos falando da velocidade da informação, conte pra gente. Você é internauta?
Sou avesso a mídia social. Para ser bem sincero, acho uma porcaria.

E mesmo assim você continua em alta na mídia.
Conte sobre o Hall da Fama.
O Hall da Fama dos Estados Unidos é a premiação mais importante que existe no basquete. Não existe nada maior do que isso. Nenhum prêmio chega aos pés do hall da fama. É sonho de qualquer jogador de basquete. Para você entrar, precisa ter parado de jogar há cinco anos. E já faziam dez anos que eu tinha parado de jogar. Um dia, estou nos Estados Unidos e toca o telefone. Era o comunicado de que eu havia entrado no Hall da Fama. Parei o carro para não bater de tanta emoção. Entrei por unanimidade.

E você estava no meio do tratamento do câncer? Ou já estava curado.
Neste mesmo ano eu tive o segundo tumor. Aliás, tragédia vende. Nunca tinha visto tantos jornalistas numa coletiva de imprensa. Lotou de jornalista do lado de fora da minha casa. Fiz uma coletiva e esclareci. Eu tinha acabado de operar e vasou a informação.

Você está curado?
Meu médico, Doutor Olavo, me chamou e disse que minha ressonância nunca esteve tão boa. Mas não foi somente o meu Deus, que é o meu médico, que me curou. Faço quimioterapia cinco dias por mês. Fiz radioterapia por um mês seguido. Está vendo isso aqui? (Ele mostra o capacete da radioterapia). O primeiro tumor era grau dois e tinha oito centímetros; o segundo era menor, mas era maligno. O tumor, quando volta, volta perverso.
Então, eu já abri e cabeça duas vezes, de orelha a orelha.

O que mais você faz pela sua saúde?
Fiz um tratamento na qual eles tiram meu sangue, trabalham ele e devolvem-no na minha espinha. Sem anestesia. Quando você está doente não sente dor. Fui em centros espíritas, fui no João de Deus. Eu faço tudo o que é necessário para não me arrepender, mas com o meu médico a par de tudo. Sou católico e rezo todos os dias. Gosto de ir em igrejas vazias, fora do horário da missa. É a melhor forma de se conectar com o Homem lá em cima.

E você fala disso na palestra?
Muito rapidamente. Quando eu falo disso as pessoas ficam tristes. Eu tenho que falar porque fez parte da minha história. Aliás, neste momento, estou fazendo mais uma reciclagem com a minha palestra. Mudamos o visual dela e mudamos de lugar algumas histórias. Coloquei no final da palestra uma história linda, que vocês ainda não conhecem.


E quando está de folga? O que curte fazer?
Gosto de ficar em casa e assistir documentários, pelo menos aprendo alguma coisa assistindo televisão. Adoro ir ao cinema. Vou, pelo menos, uma vez por semana, quando dá, com minha esposa e meus filhos, quando estão por aqui. Nossa programação é muito simples, de comuns mortais. Acordo, vou à padaria, enfim...

Está há quanto tempo aqui em Alphaville?
Estou nesta casa há 20 anos.

Você tem esperança de ver algum jogador bater o seu recorde?
Lógico. Sem dúvida nenhuma.
Para fazer isso não pense que é fácil. São muitos anos jogando bem. Porque, até agora, ninguém treinou o que eu treinei. Anos e anos a mesma coisa.
Todo dia e a vida toda.

Fale da sua relação com seus filhos.
Tenho dois filhos lindos. Tudo o que você pede à Deus para ter, eu tenho. Sabe, não faltou nada para eu fazer nesta vida. Talvez ganhar uma coisa ou outra. O resumo é muito positivo... mais do que sonhei.

Qual o seu papel para o esporte brasileiro?
O meu papel é simples. Quem fala mal de mim, vai continuar falando. Não vou mudar uma vírgula por causa dos outros. Faço tudo de acordo com a minha cabeça. Falei “não” para a NBA, quer algo melhor do que essa? Ou pior do que essa? Vou aonde eu decidir. O que eu fazia pouco antigamente, hoje eu faço muito. Durante a carreira você fica pensando muito no depois. Você não faz o que deveria realmente fazer. Hoje, eu viajo muito. Estou indo para os Estados Unidos para ficar um mês. Isso é qualidade de vida. Preciso desfrutar disso. Caixão não tem cofre. Não levamos nada dessa vida conosco. Passei a pensar assim depois da doença. Antes eu só pensava em investir, em comprar bens. Até pela questão da responsabilidade também. Eu não sabia como ia ser depois que parasse de jogar.
Hoje eu ganho mais dinheiro com palestra do que jogando basquete.
Olhe que coisa de louco isso.


 
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