Educação
COM A PALAVRA, AS CRIANÇAS!




Quem nunca, diante de um bebê fofinho, não começou a balbuciar um dialeto específico cheio de caras e bocas, trejeitos, arregalar de olhos, voz ora fina ora grossa, risadas e palavras inexistentes em qualquer dicionário? E se o bebê sorrir então? Aí é que essa “oratória” tão peculiar se aprimora com mais elementos, gestos e outras manifestações no mínimo engraçadas, de quem está investindo com fervor só para ganhar mais do bálsamo reparador que é a risada daquela fofura.

Pois é. Todos nós, quando nos deparamos com os bebês, interagimos assim; é praticamente inevitável. Um sentimento incalculável de esperança, alegria e beleza nos invade e a gente fica meio bobo, de queixo caído, não é? É claro que os bebês também não podem ser alvos dessa conversa o tempo todo; eles precisam ouvir a voz da mãe e do pai falando com eles calmamente sobre o que está acontecendo, como por exemplo: “agora, nós vamos tomar banho, depois vamos colocar uma roupinha gostosa para dormir”. Sim! É muito saudável para os pequenos esse diálogo; ele traz segurança, amplia a compreensão e reforça vínculos. Então, vamos combinar que, de vez em quando, aquele deleite citado no início do texto está valendo, pois é cultural, é inexplicável. O problema é que, muitas vezes, as crianças crescem e seguimos conversando com uma linguagem empobrecida na tentativa de otimizar a compreensão dos pequenos. Acabamos por subestimar a capacidade da criança de contextualizar, de fazer associações, enfim, de compreender de fato o que estamos dizendo. É claro que não podemos confundir o “não empobrecer a linguagem”, com “endurecer” a fala de maneira formal e rebuscada, porém, as crianças estão aprendendo muito em meio a essa interação.

Nós professores, quando contamos uma história, por exemplo, não paramos para dizer o significado dessa ou daquela palavra, a não ser que a criança nos pergunte. As palavras vão correndo como um rio e vão fazendo parte da vida dos nossos filhos, sobrinhos, alunos, netos e depois vão sendo propagadas, continuadas. Que bonito vê-los crescendo, articulando seus pensamentos por meio da fala e do repertório rico que constroem nessa relação.

Podemos estender esse pensamento em outros aspectos da vida da criança, como em relação à música. Muitas vezes apresentamos a “música de criança”, com arranjos, vocais e letras empobrecidas. Que bom que já se faz música de qualidade voltada para os pequenos, com criatividade, diversidade e muita beleza. Mesmo assim, também podemos mostrar muita música, considerada “de adulto”, mas que vão fazer uma verdadeira revolução na capacidade de escuta e apreciação dos pequenos. Experimentem. Já vi muito aluno se deleitando com Aretha Franklin, Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Piazzolla e outros tantos talentos daqui e do mundo.
É isso! Criança tem senso estético!

E voltando à fala, às palavras, Manoel de Barros não poupou nenhuma delas diante dos pequenos em suas poesias, uma delícia de ler e de ver os olhinhos brilhando com tanta riqueza, tanto respeito pela nossa língua portuguesa.

Vamos pensar sobre isso. Deixo uma dica bacana de música com o grupo Crianceiras, que musicalizou as poesias do grande Manoel de Barros. Além do cd, também compartilho uma das obras desse grande poeta.

Boa apreciação!

Adriana Rodriguez Xavier – pedagoga e psicopedagoga
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Desde a mais tenra infância, as crianças se relacionam com muitas pessoas e situações no ambiente em que estão inseridas. Nesse ambiente, além das pessoas, os pequenos também se deparam com a natureza, os animais, os objetos e, aos poucos, vão atribuindo valores a esses “elementos”, a partir da experiência que vivenciam acerca deles. É claro que essas experiências são, na maioria das vezes, narradas pelo adulto que está responsável pela criança naquele momento.

Assim, as cenas da infância se constroem, se revelam e podem ou não se tornarem imortais em nossa memória.

Eu me lembro de um dia em que minha mãe embicou o carro na frente de uma das padarias (e que padarias!) da querida Mooca, bairro em que nasci, para pegar cinco pãezinhos e um leite tipo B de saquinho. Essa parada era nosso hábito de todos os dias, depois de voltarmos do colégio. Ela nos dava uns trocados e, eu ou a minha irmã, íamos sozinhas, pedíamos no balcão e trazíamos orgulhosas a encomenda para o carro. Então, num desses dias, quando voltei para o carro, vi minha mãe do lado de fora, falando firmemente com uma criança que estava na porta da padaria esperando os pais: “ Não faz assim com ele, ele é um bichinho, sente dor...”.

 
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