Finanças
Dívidas antigas, solução agora

Por Dora Ramos

 Se na sua casa as despesas multiplicaram-se e a situação financeira ficou complicada em 2016, você esteve como a maioria dos brasileiros. No último semestre, a Confederação Nacional de Comércio, Bens, Serviços e Turismo divulgou um dado preocupante: 58,2% das famílias do país estavam endividadas, e muitas delas declararam não ter condições de pagar boletos, carnês e faturas de cartões de crédito pendentes.

 Diante de uma situação como essa, a primeira coisa que fazemos é nos questionarmos sobre o que fizemos para chegar a tal condição. Acontece que, em meio ao desespero, as respostas parecem não chegar; e, quando não identificamos as causas do problema, solucioná-lo se torna praticamente impossível.

 Embora cada família tenha suas peculiaridades, todas estão sob algumas condições semelhantes e enfrentam dificuldades parecidas. A maior delas é, sem dúvida, resistir às ofertas do comércio. Estrategicamente, o mercado nos estimula a consumir de maneira desenfreada, criando necessidades que não temos.

 O primeiro passo para quitar dívidas antigas é reduzir as despesas atuais, e, para isso, é indispensável distinguir gastos necessários e supérfluos. Essa não é uma tarefa fácil, e o ideal é que seja feita com o consentimento de toda a família. Identificados os exageros, é hora de cortá-los. Abrir mão de alguns caprichos é um sacrifício necessário para sair do vermelho.

 
Quanto Custa O Seu Vício?


Por Florence Corrêa

É difícil sacrificar o consumo de hoje para fazer poupança a ser gasta num futuro distante. Até aí, nenhuma novidade. Sendo eu, você, ou qualquer outro, todos lutam constantemente com este dilema, saindo vitorioso o consumo presente muitas das vezes (e a poupança para o futuro talvez menos do que o desejado). Nosso mecanismo de escolha tem raízes psicológicas que ainda nem compreendemos por completo, pois são muitas as forças que influenciam nosso comportamento (emoções, comparações, pressões sociais etc.).

Pior ainda quando uma força extra está envolvida na decisão: a existência de um vício que temos dificuldade para largar.

Este artigo teve inspiração numa pessoa muito querida: minha ajudante aqui em casa, a Rose. Está conosco há muitos anos. E a cada fim de ano escuto uma afirmação sua: “Próximo ano vou parar de fumar!”

Está fumando até hoje!

Dan Arieli, em seu divertido e intrigante livro “Simplesmente Irracional”, nos apresenta pesquisas que revelam comportamentos inesperados das pessoas - porque contrariam seus valores, sua aparente racionalidade, e porque acontecem à revelia de sólidos compromissos firmados consigo mesmas no sentido contrário. Segundo ele, “somos peões de um jogo cujas forças não conseguimos compreender”. E tomamos muitas vezes decisões equivocadas.

Exemplos típicos:

  • Compramos coisas que não precisamos;
  • Sabotamos a dieta, mesmo sabendo que estamos pondo em risco nossa saúde;
  • Não levamos à frente nossos compromissos de nos exercitar;
  • E falhamos também em coisas sérias, como fazer sexo seguro ou “relaxar” em questões morais.

Como lutar contra isso?

Arieli propõe que sejam elaboradas “gratuidades”: são estratégias e ferramentas, para nos ajudar a tomar decisões e melhorar nosso bem-estar.

Inspirada nisso, fiz uma pequena conta para a Rose (que fuma 2 maços por dia, há 10 anos, com um custo diário de R$ 13,00. Ao mês, gasta em média R$ 395,00). E lhe informei que se tivesse investido este dinheiro mensalmente durante este período, poderia ter hoje aproximadamente R$ 57 mil. Para ela seria uma quantia suficiente para concretizar vários sonhos que têm sido deixados de lado! Por exemplo, deseja ter uma casa própria, e falta o dinheiro para dar de entrada num financiamento. Esperava que esta conta, neste início de ano, lhe desse uma dose extra de ânimo para deixar o cigarro!

O preço do seu vício

Os exemplos abaixo podem funcionar como uma “gratuidade” para você:

  • Uma pessoa que beba uma garrafa de vinho de R$ 30 todos os dias, por 10 anos, poderia ter economizado mais de R$ 90 mil. Imagine quantos sonhos não caberiam nesta quantia! Um carro bacana, algumas viagens inesquecíveis, empreendimentos! Daria para bancar um filho numa boa escola por mais de 5 anos!
  • Uma passadinha no shopping, compras impensadas, irresistíveis promoções... suponha que estes itens completamente supérfluos te levem R$ 800 ao mês. Se você tem alimentado este hábito há 5 anos, poderia ter juntado R$ 52 mil.
  • Não resiste a um café? R$ 5 ao dia, durante 10 anos, valeriam hoje mais de R$ 21 mil.

Você já percebeu que as quantias consumidas com nossos “vícios” podem ser significativas. Mas aposto que neste momento você está questionando: “Trabalho tanto, se não puder me entregar a meus prazeres, de que vale?”

A resposta para isso é: realmente não vale nada! Mas como tudo na vida, deveríamos tentar manter um equilíbrio. Que tal cortar seus “prazeres” pela metade? (sendo que alguns deles realmente mereceriam ser eliminados, substituídos por hábitos mais saudáveis!)

Espero que esta reflexão possa te ajudar como um estímulo! Mãos à obra – pense no que vai fazer com este dinheiro que será economizado a partir de agora!

Atualização: a Rose voltou de suas férias e... advinha? Parou de fumar!

Florence Corrêa é planejadora financeira pessoal na GFAI Investimentos.

Contato:

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tel – (11) 5693-9393



 
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