Comportamento
GUARDA COMPARTILHADA



GUARDA COMPARTILHADA: ENTENDA COMO FUNCIONA E SAIBA QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS VANTAGENS PARA A CRIANÇA OU ADOLESCENTE

Nenhum processo de separação é fácil – principalmente se o casal tem filhos. Em muitos divórcios nem sempre há um acordo imediato entre as partes, mesmo sabendo que, em casos como esse, é preciso manter a racionalidade e pensar no bem-estar da criança ou adolescente em primeiro lugar.

Desde o final de 2014 - Lei 13.058/2014, existe uma modalidade de guarda chamada guarda compartilhada, vista como a situação ideal em casos de separações que envolvam crianças e adolescentes. A advogada Mariana Arteiro Gargiulo, explica que a lei foi criada com a finalidade de minimizar os efeitos ocasionados pela ruptura da união dos pais. “O legislador privilegiou essa modalidade de guarda para assegurar o melhor interesse do menor, cuja criação será beneficiada pela manutenção do vínculo familiar decorrente da maior cooperação entre os seus genitores. Além disso, com a guarda compartilhada, a criança sabe que pai e mãe têm o mesmo peso de responsabilidade na vida dela”, afirma.

Após o acordo ser fechado e a guarda passar a ser compartilhada é importante ressaltar que o recomendado é que a criança continue morando em apenas um lugar. Afinal, dentro desse tipo de regime, o que é dividido igualmente é a responsabilidade sobre a vida da criança e não o local de residência.

GUARDA COMPARTILHADA NA PRÁTICA
O guarda civil Luciano Stephano de Oliveira Leite, 44 anos, compartilha a guarda do filho Gabriel, 15 anos, com a ex esposa desde a separação. A união durou quinze anos e o rompimento foi amigável, conta. Ele diz que a relação dos três é muito boa e que, atualmente, o menino escolhe quantos dias quer passar com cada um. “Hoje em dia não é como quando o Gabriel era pequeno, um dia com cada um. Agora é ele quem escolhe a quantidade de dias que passa com a mãe ou comigo, dependendo do programa escolhido no final de semana. Como bom adolescente, o interesse vai de acordo com o que ele julgue mais divertido ou proveitoso”, explica.



BENEFÍCIOS DA GUARDA COMPARTILHADA
A psicóloga Lúcia Maria Amaral, separou com exclusividade para a Tudo uma lista de aspectos benéficos para crianças e adolescentes que se destacam dentro da guarda compartilhada. Confira:

- As crianças desenvolvem melhor relacionamento tanto com o pai como com a mãe;

- Se sentem mais amadas;

- Desenvolvem um ego e superego mais forte, resultando autoestima mais elevada;

- As crianças não se sentem abandonadas pelos seus pais;

-  São mais ativas;

- Criam vínculos positivos na casa de ambos os pais;

- Ampliam suas amizades em face dos vizinhos de ambos os pais;

- Desenvolvem grau de felicidade igual as de crianças com pais em casa;

- Técnicas de manipulação e alienação parental, onde um dos pais desqualifica o companheiro, são raramente utilizadas e ineficazes;

- Bom frisar que a guarda compartilhada não pressupõem necessariamente um bom relacionamento entre os pais, mas que os pais possam reconhecer as necessidades emocionais de seus filhos em relação a eles, mesmo separados.

Olho da matéria
“Agora é ele quem escolhe a quantidade de dias que passa com a mãe ou comigo” Luciano Stephano sobre o filho Gabriel

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“A criança sabe que pai e mãe têm o mesmo peso de responsabilidade na vida dela”, Mariana Arteiro


Somente 6% dos casais separados no Brasil têm guarda compartilhada


Sobre a pensão alimentícia
A pensão poderá ser definida proporcionalmente às despesas de cada um dos pais com o menor. Vale destacar que a divisão das despesas não é exatamente de 50% para cada um dos pais; ela será definida pelo juiz de acordo com as possibilidades financeiras de cada parte. Assim, quando a guarda for compartilhada e o filho efetivamente morar com apenas um dos pais, este com quem o filho mora poderá buscar judicialmente a pensão alimentícia para auxiliar nas despesas da criança. Então, ter a guarda compartilhada não significa estar livre de pagar pensão.
Guarda compartilhada entre as celebridades
Ticiane Pinheiro e Roberto Justus tiveram uma separação amigável. O empresário revelou que o ex-casal tem a guarda compartilhada da filha, Rafaella Justus, sem nenhuma briga.
Crédito da imagem: EGO/Globo
A Guarda compartilhada é obrigatória?

Na teoria, é o regime ideal. Mas o fato de a lei existir não é predominante na decisão do juiz, que tenderá sempre para o bem-estar da criança. Mas é importante ter em mente que o que funciona para uma família pode não funcionar para a outra. Se não há acordo, serão feitas análises e perícias para identificar qual é o cenário mais favorável às crianças envolvidas.

A opinião da criança é levada em consideração?
Nunca é a criança quem decide onde vai viver e como seu tempo será dividido. Mas, dependendo da situação e da idade do menor, ele poderá ser ouvido pela perícia. Cabe ao juiz entender a relevância, já que cada caso é um caso.

 
É cultural, é questão de gênero, é machismo, é feminismo! Vamos falar sobre homens e mulheres numa relação amorosa

Desde muito cedo as mulheres são ensinadas a seguirem um padrão social dentro das relações afetivas. Embora as coisas tenham mudado muito nos últimos anos, ainda há uma certa imposição por parte de seus companheiros, família e da própria sociedade.

Com a ascensão do movimento feminista – movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres – elas vêm se empoderando e mostram que não engolirão mais sapos dentro e fora de seus relacionamentos.

O machismo, por sua vez, é estrutural e isso se dá porque os meninos, muitas vezes, crescem ouvindo o discurso equivocado de que são melhores do que as meninas, o que acaba prejudicando a ambos. Na fase adulta, quando começam a se relacionar, eles tendem a reproduzir, infelizmente, esse mesmo discurso, como por exemplo, censurando as roupas da companheira, não dividindo as tarefas domésticas e a criação dos filhos ou a impedindo de ser independente financeiramente.

"Numa relação aonde prevalece o machismo, observamos uma mulher desprovida de liberdade e de realização de seus desejos (vontades), limitando-a a ser conduzida pelo seu parceiro. Para combater essa relação, muitas feministas procuram um distanciamento de atitudes cavalheirescas da parte dos homens, pois atitudes como atenção, respeito e cuidado, podem ser confundidos com machismo", explica a psicóloga Lucia Amaral.

Companheirismo acima de tudo

Segundo Lucia, dentro de uma relação é fácil detectar um comportamento machista quando observamos as atitudes do casal no seu dia-a-dia. "Divisão de tarefas na qual somente ela é responsável por cuidar da casa e ele é o único responsável por sustentar a família, são características machistas", diz a especialista.

O casal Manuela Robatini e Fernando Macedo Moreira passa bem longe desse tipo de situação em seu relacionamento. Os dois se conheceram numa festa rave, onde Fernando estava à trabalho e, desde então, se tornaram parceiros também profissionalmente.

Para eles, o diálogo dentro de uma relação é fundamental. Fernando vê na namorada uma parceira, uma pessoa que caminha lado a lado com ele e não alguém que está a sua sombra. “A Manu é, acima de tudo, minha parceira, minha amiga. Nossa cumplicidade transcende qualquer tipo de papel social imposto por quem quer que seja”, afirma.

Já Manuela diz que quando há consenso, muita coisa se resolve. “Quando os dois estão em harmonia e iluminados pela consciência, a tranquilidade interior domina o nosso ser! Ter companheirismo e reciprocidade é o melhor presente que se pode dar ou receber”, completa.





 

 



 
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